MERCADO DA NOTÍCIA ENTRA EM EBULIÇÃO EM NOVA LIMA
Um fenômeno midiático causado pelo volume de informações filtradas pelo meio jornalístico,
através dos veículos físicos e virtuais, vem fazendo muito barulho na vida pública de Nova Lima, pela velocidade da notícia, às vezes, com imagens incontroversas dos fatos mostrados.
Este cerco do cotidiano dos poderes políticos locais, Executivo e Legislativo, revela a necessidade de uma contrapartida dos agentes públicos para dar mais transparência a atos que, antes desta febre das redes sociais, não tinham a visibilidade que tem hoje.
Outrora, quando não se tinhas os recursos atuais da Internet– como as plataformas de vídeo, por exemplo –, a notícia era buscada e divulgada pelos meios convencionais. Eram jornais de papel de periodicidade semanal ou mensal; rádio e TV (de fora) com jornais de hora marcada em suas grades.
Os fatos eram compilados por jornalistas de forma pasteurizada e conveniente. Tínhamos na cidade no início da década de 2010 dois a três seminários de papel, um dos quais o A Notícia, de minha propriedade (com quase 30 páginas), duas emissoras de rádio e um ou outro jornal de circulação esporádica.
Funcionava assim: o repórter catava a notícia, que era colocada em banho maria até a sua circulação. As emissoras de rádio, com as limitações da época, faziam poucos trabalhos externos, com a cobertura dos poderes políticos meio que esvaziada pelo trabalho remoto.
A verdade é que o povo não tinha espaço suficiente para soltar a sua voz. Até surgir a TV Banqueta, que foi um marco importante neste processo de transformação dos meios de comunicação local, principalmente com a transmissão ao vivo das sessões ordinárias da Câmara a partir de 2015.
Com o avanço das redes sociais, o povo foi, aos poucos, enfiando a sua colher de pau nos assuntos políticos através principalmente do Facebook e do Instagram. Criando, com isso, um noticiário paralelo a engolir os meios tradicionais de comunicação pela velocidade das postagens em tempo real, inclusive com imagens e áudios.
Não deu outra: os jornalistas migraram de forma independente para as redes, por meio de blogs, portais, site e, depois, jornais virtuais. E chamaram para si a responsabilidade da divulgação editada destes fatos registrados ao vivo que viram notícia e cobranças públicas, tirando os políticos de sua zona de conforto.
O importante hoje é que nada, absolutamente nada, passa batido na cidade. Tudo é revelado e explorado à exaustão, conforme o interesse de cada um. Até as postagens institucionais ou pessoais do prefeito, vereadores e demais ocupantes do cargo público, é explorada para o bem ou para o mal.
O cerco fechou geral. O patrulhamento e as cobranças acontecem em formato original ou filtrado, a tempo e a hora. Às vezes, no meio da madrugada ou num domingo letárgico de descanso. A coisa vem pelo celular na velocidade da luz, mal dando tempo do alvo se levantar da espreguiçadeira.
Um nicho de mercado que amplia a voz do povo e dá sobrevida ao jornalismo alternativo. Nem todos os veículos são sérios, é verdade — sempre tem um ou outro fabricante de conteúdo distorcendo os fatos –,mas a verdade é que os políticos da cidade estão de certa forma encurralados.
Do pequeno buraco na rua às denúncias mais graves, é tudo farelo do mesmo saco de cobranças públicas a exigir dos políticos mais moderação, discrição e efetividade em suas ações. Qualquer deslize vai para a boca do povo e é motivo de execração e trepidação moral
Fazem parte desta cadeia de notícias remotas e instantâneas, da qual faço parte com o meu site Jornal a Notícia, o tradicional Cultura & Comércio, Jornal e Tv Banqueta; Portal Nova Lima, Coyotte News, Jornal Noroeste, Jornal Minas, Sempre Nova Lima, Jornal Belvedere, a 87.9 FM, entre tantos outros veículos, blogs, portais e sites da região.
Dou a estes colegas, do alto de minha experiência no mercado, um único conselho: cuidem de seus nomes. Zelem pela sua assinatura, porque não somos donos da verdade e nem dos fatos. Um repórter compromissado com o interesse público, ainda que sujeito aos tropeços do ofício, nunca perde a credibilidade diante do público e das autoridades.
