QUEM RECEBEU DINHEIRO DE VORCARO PODERÁ TER QUE DEVOLVER. 

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Então é assim: saiu na foto com Vorcaro, é bandido.

Será?!

“Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és” é um velho provérbio popular. Nada mais do que isso.

A frase remete, inclusive, ao ensinamento bíblico de que “as más companhias corrompem os bons costumes”.

É prudente evitar más companhias. Mas fotografia, amizade, encontro ou convivência, isoladamente, não transformam ninguém em criminoso.

E quem rouba de ladrão tem cem anos de perdão?

Não.

Mas há uma diferença fundamental entre aparecer ao lado de alguém e receber dinheiro ou presentes cuja origem seja ilícita.

Neste segundo caso, a história muda de figura.

Quem recebeu valores de Daniel Vorcaro — especialmente valores elevados, sem explicação econômica ou contratual convincente — tem o dever de explicar a origem, a finalidade e as circunstâncias do recebimento.

RECEPTAÇÃO

E, se ficar comprovado que o dinheiro era produto de crime e que o beneficiário o recebeu sabendo de sua origem ilícita, pode haver enquadramento no artigo 180 do Código Penal, que trata da receptação. O Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, em caso concreto, a possibilidade de receptação envolvendo dinheiro proveniente de crime.

A lei também prevê a modalidade culposa, quando as circunstâncias deveriam levar a pessoa a presumir a origem criminosa do bem.

Portanto, não basta perguntar:

“Por que apareceu na foto com Vorcaro?”

A pergunta realmente importante é outra:

“Quanto recebeu? Por quê? Em que circunstâncias? E qual era a origem desse dinheiro?”

Se o beneficiário é agente público ou político, a necessidade de transparência é ainda maior.

Não se trata de condenar ninguém por fotografia, amizade ou simples convivência.

Trata-se de exigir explicações sobre dinheiro.

Porque banqueiro não costuma movimentar grandes somas por acaso. E, quando aparecem presentes, doações ou pagamentos vultosos envolvendo autoridades e políticos, a sociedade tem o direito de saber quem deu, quem recebeu, quanto foi, por qual motivo e de onde veio o dinheiro.

Afinal, como diz o velho ditado:

esmola demais, até santo desconfia.

 

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