MOURÃO FILHO, O “GENERAL POPEYE” QUE AJUDOU A DERRUBAR DUAS DEMOCRACIAS

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Mourão Filho comemorando o Golpe com o governador de Minas, Magalhães Pinto. Foto/Reprodução

Poucos personagens da história brasileira tiveram uma trajetória tão contraditória quanto o general Olímpio Mourão Filho. Em momentos distintos, ele esteve ligado aos dois principais golpes de Estado do século XX no Brasil: o de 1937, que instaurou o Estado Novo de Getúlio Vargas, e o de 1964, que depôs o presidente João Goulart e deu início ao regime militar.
Sua primeira participação ocorreu em 1937. Como chefe do serviço secreto da Ação Integralista Brasileira, redigiu, por determinação de Plínio Salgado, o chamado Plano Cohen — um documento falso que descrevia uma suposta conspiração comunista para tomar o poder. Apresentado como autêntico, o texto foi utilizado pelo governo Vargas para justificar a decretação do Estado Novo, ditadura que perdurou até 1945.
O episódio deixou marcas em sua carreira. Mourão Filho passou a ser visto por muitos oficiais como um dos responsáveis pela ascensão do regime varguista e enfrentou resistências dentro do próprio Exército. Talvez por isso, em 1961, tenha surpreendido ao defender a posse constitucional do vice-presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, posicionando-se em favor da legalidade.
A reviravolta durou pouco.
No comando da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, Mourão Filho decidiu agir por conta própria na madrugada de 31 de março de 1964. Sem esperar autorização do alto comando, colocou suas tropas na estrada em direção ao Rio de Janeiro, desencadeando a ofensiva que culminaria na deposição de João Goulart. Mais uma vez, a justificativa apresentada pelos defensores da intervenção era a necessidade de impedir uma suposta ameaça comunista.
Consumado o golpe, esperava ser recompensado. Sonhava, entre outros cargos, com a presidência da Petrobras. Não foi contemplado. Isolado pelos próprios militares que ajudou a levar ao poder, passou a criticar o governo e declarou, anos depois, sentir-se traído pelos generais Castelo Branco e Costa e Silva.
Nascido em Diamantina, em 1900, filho de um ex-deputado e senador e de uma professora, Mourão Filho estudou no Colégio Diocesano, de onde foi expulso. Mais tarde, seguiu para Belo Horizonte e ingressou na carreira militar, na qual alcançou o generalato.
Apelidado de “Popeye”, em razão da baixa estatura, do cachimbo que fumava e da semelhança física com o personagem dos quadrinhos, Mourão Filho terminou a vida ocupando um lugar singular na história: o de um militar que participou diretamente de dois dos episódios mais decisivos — e controversos — da política brasileira do século XX.

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