OS GENERAIS NÃO PODEM PAGAR PELO CAOS POLÍTICO E A CORRUPÇÃO
A série Tempos Sombrios (com quase 1 milhão de visualizações) escracha o radicalismo de parte da população com as Forças Armadas que não intervém nesta “baderna que virou o Brasil”.
A insatisfação é grande nos comentários. A manifestação de orgulho dos generais do Golpe de 1964 e a decepção com os atuais, sugere tratar-se de reações ultradireitistas.
Pelo percentual de exaltação bolsonarista, dá a entender que esta situação beligerante tem sim o viés antipetista, porém, essa não é uma tendência predominante.
O peso da corrupção e o descrédito nas instituições políticas e o judiciário fala mais alto, potencializando a revolta.
O diagnóstico é claro: a população exige a moralização dos três poderes da República e isso atiça os que acham que a coisa se resolve com o pulso forte dos generais.
Entendo que este desatino entre bolsonaristas e lulistas, a crise institucional vigente e os sucessivos escândalos impregnados no meio político nos remetem a 1964.
Destaquei isso no episódio anterior, mas os tempos são outros.
A desmilitarização do poder central, com a criação do Ministério da Defesa, em substituição ao do Exército, subordinou os militares ao comando civil.
A autoridade suprema continua sendo o presidente, com direção do ministro da Defesa, depois o Estado-Maior Conjunto das FA e, por fim. os comandantes das Três Armas.
Esta estrutura consolida o papel democrático das Forças Armadas, separando-as do poder político desde a entrada em vigor da Lei Complementar N° 97, de 9 de junho de 1999.
Esta nova conjuntura transferiu para o Ministério da Defesa o comando das Forças Armadas, com a estrutura governamental desmilitarizada e no controle da situação.
Qualquer ameaça à soberania do País ou à ordem pública, as três Armas serão convocadas a agir, em terra, sob o comando do general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.
Mas isso somente ocorrerá com o estalar dos dedos do presidente, mediante uma rupturas institucional e o colapso da ordem pública, do contrário, é golpe.
O que aconteceu em 1964 foi que a 4a Região de Infantaria de Juiz de Fora. sob o comando do general Mourão Filho, se insurgiu contra o presidente João Goulart.
Mourão botou a tropa na estrada rumo ao Rio, onde estava o presidente, com o apoio da Polícia Militar cedida pelo governador Magalhães Pinto, que também rompeu com Goulart.
Minas passou a não reconhecer a autoridade do presidente e teve o apoio do I Exército sediado no Rio e do II Exército de São Paulo, forçando a deposição do presidente.
Não é fácil a insurreição militar contra o governo e vice-versa. O preço a pagar por isso costuma ser muito alto. Tão alto que os generais de 1964 pagam pela rebeldia até hoje.
Eles erraram, uns mais, outros menos, assim como lideranças da resistência anárquicas e ilegítima erraram ao botar pilha na militância e fugir do País, voltando anistiada e indenizada.
Muitos jovens morreram pelo desatino de seus falsos líderes dos dois lados. E isso não pode se repetir.
