A “CADEIRA ELÉTRICA” DO DR. CEMIG NO HOPITAL COLÔNIA DE BARBACENA

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A aplicação do eletrochoque (hoje Eletroconvulsoterapia-ECT) nos anos 40/50 no Hospital Colônia de Barbacena, entre outros, ocorria sem anestesia ou relaxante muscular.
O paciente era preso a uma maca amarrado no encosto, tipo “cadeira elétrica”, onde recebia a carga elétrica nas têmporas, provocando uma severa convulsão no corpo.
Já nos anos 60 em diante, o procedimento passou a ser aplicado com sedação de véspera e anestesia.
Os pacientes indicados para o eletrochoque eram sedados pela manhã durante a medicação de rotina sem saber que estavam tomando remédio para dormir.
Eles “apagavam” em suas camas de enfermaria enquanto os demais eram levados para o pátio para “recreação” e banho de sol que duravam até a hora do almoço.
A enfermagem chegava sorrateira empurrando a bandeja de medicação, o cilindro de oxigênio e um pano ou uma borracha para eles não morderem a língua.
O médico posicionava os eletrodos nas regiões temporais e fazia a descarga elétrica conforme a prescrição, induzindo a crise convulsiva para controlar os neurotransmissores.
A corrente elétrica era transmitida diretamente no cérebro, provocando uma convulsão generalizada, obrigando o calçamento do paciente com travesseiros para ele não cair.
No Hospital André Luiz, onde também testemunhei o procedimento em 1974, o médico era chamado de “Dr Cemig” pelos pacientes que tinham pavor dele.
O método era o mesmo no Hospital Psiquiátrico Casa de Saúde Santa Maria, no bairro Funcionários, de propriedade do psiquiatra Austragesilo Ribeiro de Mendonça.
O renomado Dr. Austragesilo classificava o ECT como o melhor tratamento para depressão, obtendo um resultado imediato e sem qualquer medicação.
Na verdade, o choque resetava o cérebro, deixando o paciente grogue nas primeiras 48h e livre temporariamente da doença por vários meses.
O ECT era indicado para casos de esquizofrenia e depressão aguda. Depois, ficou em desuso pela agressividade e o surgimento de medicamentos modernos.
Meu pai, com graves problemas neurológicos pós-guerra (fora convocado e dispensado devido a depressão), recebeu várias sessões de eletrochoque no Hospital Militar do Rio.
Nem todo paciente necessitava do choque que lhe era prescrito como tortura por se recusar a servir na guerra, por exemplo, segundo papai ficou sabendo no hospital.
O irmão dele, Ervê, com esquizofrenia, passou pelo mesmo procedimento no Hospital Colônia de Barbacena, onde desapareceu misteriosamente e nunca foi encontrado.
Pacientes do ECT costumavam ter hematomas nas têmporas, perda de dentes e cortes na língua e até problemas cardíacos devido à rudez do procedimento antigo.
Um telegrafista esquizofrênico da antiga Central do Brasil contou-me no André Luiz que suas crises somente melhoravam com as aplicações do eletrochoque.
(Fotos ilustrativas extraídas da Internet).

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