O “DIA DO FICO” DE JOÃO MARCELO NA PREFEITURA É PURA MATEMÁTICA

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João Marcelo Dieguez durante o vídeo postados em sua rede social anunciando os motivos que o levaram a desistir da candidatura de deputado para permanecer na prefeitura. Foto/Reprodução

Foi acertadíssima a decisão do prefeito João Marcelo Dieguez (Cidadania) de desistir de uma eventual candidatura a deputado e permanecer no cargo até o final do mandato.

O motivo “oculto” desta desistência está intrinsecamente ligado à baixa probabilidade de Nova Lima eleger políticos da cidade para a deputado, em razão do reduzido colégio eleitoral da Comarca.

Na eleição que o reelegeu prefeito em 2024 com 85% dos votos (ele não tinha adversário à altura, foi praticamente um WO), João Marcelo obteve 47 mil votos, dos 57 mil úteis apurados pelo TSE.

Para se eleger deputado estadual em Minas este ano, a margem de segurança a ser calculada fica na faixa de 80 mil votos. Não eleição passada João Vitor Xavier, de seu partido, obteve 62 mil votos e por pouco não perdeu o mandato de deputado.

Nova Lima tem o menor colégio eleitoral do Estado entre as cidades com orçamento acima de R$ 1 bilhão. Logo, fica difícil para qualquer político da cidade alçar voos na ALMG e no Congresso Nacional.

Principalmente em se tratando de políticos em início de carreira, independentemente do que representa hoje para o município. João Marcelo se tornou prefeito pela primeira vez em 2020 e renovou seu mandato em 2024.

Precisa de mais “minutagem” na política, como se diz no futebol, para ganhar experência e tomar espaço de concorrentes fora de seu domicílio eleitoral. Ocupar cargos de relevância no Estado para se tornar mais conhecido quando deixar a prefeitura.

Em toda a sua história tricentenária, Nova Lima elegeu apenas três políticos para deputados: José Gomes Pimenta, Dazinho, em 1962; Dr. Sebastião Fabiano Dias, em 1963 (ambos cassados pelo Regime Militar), e Vitor Penido em 1986, para estadual, e 2006 e 2010, para federal.

Vitor é Vitor. Tem mais experiência neste perde e ganha das urnas do que urubu de voo. É matreiro e tem muito nome fora de Nova Lima.

Aliás, há informações de que ele foi convidado pelo PL para se candidatar a deputado federal. Vejo a notícia como um blefe do partido ou mesmo de Vitor para tentar intimidar JM a tentar esta vaga.

Eu disse dias atrás a Fred Sarti, da TV Banqueta, e Luiz Dutra, do Sempre Nova Lima, que João Marcelo não trocaria seus dois últimos anos de prefeito pela tentativa de se eleger deputado.

Eleição, por mais que a pessoa ache que tem cacife para ganhar, não deixa de ser uma mesa de bacará. É uma disputa interativa, mas é também um jogo de azar. Principalmente em se tratando da vaga de deputado ou senador para um candidato com mandato em Nova Lima.

A base eleitoral e domiciliar de um candidato novato para um destes cargos não pode ser inferior a 200 mil votos úteis. Ou seja, quase quatro vezes maior do que o que oferece o colégio eleitoral de Nova Lima.

É aquele negócio: tentar a sorte com pouco ou nada a perder, é uma coisa. Mas deixar para trás dois anos de uma prefeitura bilionária para se aventurar a ser deputado, é trocar o certo pelo incerto. Burrice!

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