QUEM PEDE A VOLTA DA DITADURA OU É DOENTE DA CABEÇA OU MAL INFORMADO
Tenho observado, através de minhas publicações sobre os tempos sombrios da ditadura militar, que tem muitas pessoas — mais até do que eu imaginava–querendo de volta o regime de exceção no Brasil.
É gravíssimo isso. É como alertou o vice-presidente Pedro Aleixo ao votar contra o AI-5 editado pelo general-presidente Costa e Silva e aprovado por 23 dos 24 membros do Conselho Nacional de Segurança em 1968:
“Voto contra porque o problema maior, presidente, não é o senhor, é o guarda da esquina”.
Pedro Aleixo se referia ao perigo que este “cheque em branco” do decreto significaria nas mão de representantes do poder pelo inevitável abuso de autoridade.
A partir do momento em que um presidente “pode tudo” — até permanecer no poder sem a vontade do povo, com o dinheiro deste e livre para alterar a Constituição quando bem entender– é o fim do Estado de Direito.
Qualquer cidadão que contrariar o sistema ou ameaçar a autoridade do presidente corre o risco de punição severa, inclusive de morte. A família passa a viver em total clima de insegurança.
A sensação de que a ditadura reduz a criminalidade urbana e moraliza as instituições públicas ocorre pelo terror impostos e não pela paz proporcionada.
O medo acua. Impõe ordem. Cria uma insegurança coletiva na população. Afasta os investidores internacionais e empobrece a Nação..
Por mais criticada que seja, a democracia representativa é o regime mais eficaz pela rotatividade dos mandatos políticos e a submissão às urnas. O poder emana do povo e não de quem recolhe impostos.
É como dizia Margaret Thatcher: não existe dinheiro público, existe dinheiro dos pagadores de impostos. São eles que geram empregos e renda em um País democrático.
Quando o poder é centralizado em um único homem –o ditador– as autoridades podem matar quem contrariar as suas ideias ou se insurgir contra o sistema, que não dá em nada.
Cito o caso do capanga do sistema que matou em Brasília meu colega do Correio Braziliense em 1984 com cinco tiros na cabeça e um na nuca de misericórdia, com o corpo já debruçado no chão.
A emboscada ocorreu com apoio institucional armado, porque o repórter denunciava o Esquadrão da Morte formado por policiais civis e do Exército.
Este Esquadrão prestava serviços sujos para o SNI. O atirador de elite que fez os disparos, Divino 45, dava segurança para o presidente Figueiredo e outros graúdos do poder.
O grupo tinha envolvimento com o atentado do Riocentro e com a morte do jornalista Alexandre Von Baumgarten, desafeto do general Newton Cruz, chefe da Agência Central do SNI na Capital Federal.
O que aconteceu com este bandido?
Praticamente nada. Foi condenado a apenas 14 anos de prisão. Pagou quatro sete anos após o crime. Foi solto em condicional e obteve o benefício do indulto perdoando o restante da pena.
Funciona assim a ditadura. Aconteceu com este repórter e com vários outros cidadãos de bem. Poderia ter sodo com você, seu filho,pai,mãe, irmão, amigo. Este é apenas um exemplo.
Quem quer de volta a ditadura ou quer se aliar a estas barbáries ou é mal informado sobre como funciona o sistema. Fui repórter nesta época em BH e Brasília. Vi coisas piores do que isso — muito pior!
Não foi por acaso que fui chamado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para escrever sobre o Caso Mário Eugênio na revista sobre a memória de seus 60 anos.
Escrevi em 2000 um livro sobre o caso –Distrito Zero (Mazza Edições) –e apontei o secretário de Segurança Pública coronel do Exército Lauro Rieth como mandante do crime. Mas nem a Júri ele foi levado.
Denunciei a manobra da defesa que mantinha o criminoso em liberdade sete anos após a execução do repórter,com falsos atestados de insanidade mental, etc.
Somente após a publicação do livro que ele foi preso. Cumpriu quatro anos na Papuda. Saiu pela porta da frente e foi dispensado de voltar para a prisão.por indulto pleno.
Virou funcionário público remunerado.
Por estas e outras, falo e repito: DITADURA NUNCA MAIS!
