MINHA GUERRA CONTRA OS CORRUPTOS NÃO ACABOU
A corrupção na vida pública brasileira se deve, em grande parte, à falta de coragem — e, muitas vezes, à conveniência — de parte da classe jornalística, vinculada ou não aos grandes veículos de comunicação, para denunciar falcatruas com a devida imparcialidade.
Os grandes meios de comunicação sempre filtraram as notícias de acordo com seus próprios interesses e isso, de certa forma, limita o trabalho dos jornalistas. Freia seu ímpeto e lhes tira o direito de buscar a verdade, doa a quem doer, porque, na relação de trabalho, manda quem pode e obedece quem tem juízo.
Ocorre que, com o espaço conquistado na internet por meio das redes sociais, sites, blogs e plataformas de vídeo, só não denuncia bandido quem não quer.
Contabilizei, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), cerca de 15 processos por danos morais e materiais movidos, nas últimas duas décadas, contra o meu CPF por políticos e empresários ligados ao poder, em razão de minhas publicações. Fui absolvido em todos os processos já encerrados.
Refiro-me apenas às ações ajuizadas após deixar a grande imprensa, onde também acumulei processos semelhantes nas comarcas de Belo Horizonte e Brasília, solidários ou não, porque o empregador sempre procura tirar seu CNPJ da reta.
Essa prateleira de 15 processos refere-se somente à Comarca de Nova Lima, onde atuei durante anos com jornal impresso e digital e onde hoje me dedico a um jornalismo beligerante, opinativo, crítico e de confronto.
Entre os que se disseram ofendidos pelo que falo e escrevo estão pessoas físicas e jurídicas envolvidas, direta ou indiretamente, com o desvio de dinheiro público. Alguns me processaram por calúnia e difamação.
Perderam todos os processos. Um deles chegou a me acionar judicialmente seis vezes.
A pergunta é simples: se eu posso enfrentar esse pessoal na Justiça, mesmo sem dinheiro para pagar advogados caros, por que a sociedade deveria tolerar bandido na política?
Foram tantas demandas que precisei dar uma trégua aos corruptos, devido à dificuldade de encontrar advogados e às reclamações de alguns deles, já assoberbados com esse verdadeiro tiroteio judicial.
Quem me dera ter recursos para sustentar minhas denúncias sem depender da Defensoria Pública ou da boa vontade de profissionais do Direito que abraçaram essa causa.
Processos dão trabalho, demandam tempo, dinheiro e causam desgaste. Por isso, mesmo com a convicção de que venceria cada ação, foi necessário fazer uma pausa.
Isso não significa recuar, temer ou me omitir. Trata-se apenas de uma decisão estratégica.
A eleição está chegando e, infelizmente para os eventuais corruptos, a minha fábrica de inimigos voltará a funcionar.
